sexta-feira, 20 de março de 2026

Loeb perde tempo mas mantém a liderança

Furos, avarias mecânicas e erros de navegação. Foi assim o quarto dia do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, com a dupla Lucas Moraes/Dennis Zenz (Dacia) a levar a melhor sobre a concorrência e a subir ao último lugar do pódio na geral. Sébastian Loeb/Edouard Boulanger (Dacia) perde tempo mas mantém primeiro posto. 
Tem, agora, 1m27s de vantagem sobre Seth Quintero/Andrew Short (Toyota). Nas motos Bruno Santos (Husqvarna) voltou a estar aguerrido, mas foi Daniel Sanders (KTM) quem levou de vencida a etapa e, assim, consolidou o primeiro lugar. Nasser Al Attiyah (Dacia), com problemas mecânicos, e Henk Lategan (Toyota), que sofreu um acidente,atrasaram-se bastante, mas podem retomar as pistas no dia de amanhã.

Com a derrota do dia anterior ainda a pesar, os pilotos da Toyota saíram para as pistas com o propósito de atacar a liderança. Porém, vários furos atrasaram Quintero e Ferreira. Além disso, uma penalização de dois minutos por excesso de velocidade atribuída ao português, atrasou-o ainda mais. Sem problemas, Lucas Moraes impôs o seu ritmo nas pistas rápidas da Extremadura espanhola e assegurou a vitória na etapa.

À chegada – e ainda antes de saber da penalização sofrida – Ferreira era o porta-voz do desalento da equipa: “furámos perto do final e tivemos de mudar o pneu. Vínhamos a impor um ritmo forte e se fizemos o segundo melhor tempo com o furo, admito que pudéssemos ganhar a etapa, mas é o que é”, declarou. Já o vencedor não escondia a satisfação: “fizemos uma boa prova, limpa. O Dennis navegou super bem, mas foi muito difícil [com a pista] muito estreita para o nosso carro e lisa”, declarou de sorriso aberto o brasileiro.

Loeb mantinha o pragmatismo que lhe é reconhecido, depois de também ele ter sofrido um furo nos derradeiros quilómetros do setor seletivo: “vínhamos bem no início, mas tivemos um furo no final, na mesma pedra do ano passado, no mesmo sítio, e não vi. Furámos e tivemos de mudar o pneu, o que nos fez perder tempo. Depois optei por ser mais cauteloso, já que o trilho começou a ficar um pouco mais escorregadio”, concluiu.


Alexandre Pinto imparável na sua categoria
Entre os Challenger, a dupla Alexandre Pinto/Bernardo Oliveira (Taurus) voltou a ganhar a etapa e saltou para a liderança, à frente de Charles Munster/Xavier Panseri (KTM) e Puck Klaassen/Augusto Sanz (KTM).
 
 O andamento da dupla portuguesa tem sido muito alto nos últimos dois dias. Depois de perder quase 15 minutos na primeira etapa, recuperou a desvantagem e, neste momento, estão na frente da classificação com 4m14s sobre os segundo classificados.



Na categoria SSV, a disputa foi ao segundo, com os cinco primeiros de faca nos dentes. Dispostos a redimir-se dos problemas mecânicos do dia anterior, Luís Cidade e Valter Cardoso (Can-Am) trocaram várias vezes de posição na frente com Luís Portela Morais/David Megre (Polaris), Andrea Deldossi/Jeremy Tricaud (Can-Am), Miguel Barbosa/Joel Lutas (Polaris) e João Monteiro/Nuno Morais (Can-Am). Mas, no final, foi Cidade a levar a melhor sobre Barbosa e Portela Morais. Neste momento, as duas equipas estão separadas por 1m43s, com vantagem para a formação do carro 408.


Em Stock foi a vez da dupla Stéphane Peterhansel/ Michael Metge (Defender) vencer a etapa. Com este triunfo, assumiu, também, a liderança da categoria com quase sete minutos de vantagem sobre Rokas Baciuska.


Daniel Sanders repete triunfo em etapa

Num dia em que a escolha de pneus desempenhou um papel relevante, dadas as características das pistas e pela chuva que caiu, Bruno Santos (Husqvarna) voltou à carga. Mas foi Sanders que arrecadou a vitória no setor seletivo, com o português a ficar em segundo, a apenas 59 segundos. Após a terceira etapa, Tosha Schareina (Honda) é segundo e Santos é terceiro, com o mesmo tempo de Adrien Van Beveren (Honda), quarto classificado, após mais de sete horas de prova.

Na zona final de cronometragem, Sanders revelava a estratégia seguida: “foi mais um dia complicado, a escorregar de um lado para o outro, mas foi divertido. Ontem fui demasiado lento, mas hoje puxei um pouco mais”, confessou o australiano. Acerca da escolha de pneus, Sanders detalhava um pouco mais o raciocínio seguido: “acho que todos, à exceção dos meus companheiros de equipa, escolheram pneus macios, por isso sabíamos que iriam puxar o máximo possível. Esta foi a etapa onde, no ano passado, destruí [o pneu], mas desta vez todos estavam com o mesmo pneu por isso foi justo. Foi apenas uma questão de escorregar de um lado para o outro e seguir”, destacou Sanders.

Após liderar por momentos o setor seletivo, Bruno Santos chegava em segundo e mostrava-se conformado: “foi bom a chuva ter caído, o terreno estava muito bom, com zonas de muita tração e pistas muito rápidas, outras mais lentas e técnicas pelo meio dos olivais. Senti-me bem na moto, mas no final já estava a ficar um pouco cansado”, confessou.

A liderança de Bruno Santos em Rally2 cresceu, com Martim Ventura (Honda) a mais de 12 minutos na classificação e Neels Theric (Kove) a 14 minutos. Em Rally3, a grande surpresa foi a vitória do mongol Murun Purevdorj, que aproveitou os azares dos irmãos Amaral para vencer uma etapa pela primeira vez no W2RC. Gonçalo Amaral (Honda) mantém, ainda assim, o primeiro lugar da categoria. Nos Quad, o vencedor foi Antanas Kanopkinas (CFMoto) e Adomas Gancierius (CFMoto) continua na liderança da categoria.



De regresso a Portugal com o Estádio do Algarve à vista


Dia 21 marca o regresso a Portugal, com um extenso setor seletivo de 315 quilómetros que irá levar os concorrentes até Loulé. A primeira moto vai para a pista às 7h e o primeiro carro às 9h30. A chegada a Loulé está prevista para as 11h49 para as motos e 14h44 para os carros. Para o público, o acesso gratuito ao bivouac é entre as 18 e as 22 horas.













quarta-feira, 18 de março de 2026

Portugueses dominam primeiro dia de competição

João Ferreira e Filipe Palmeiro (Toyota) lideram à geral o bp Ultimate Rally-Raid Portugal, com os americanos Seth Quintero e Andrew Short (Toyota) em segundo e os franceses Sébastian Loeb e Edouard Boulanger (Dacia) em terceiro. O primeiro setor seletivo “Grândola-Grândola” foi disputado nos trilhos enlameados da zona de Alvalade banhada pelo rio Sado, numa distância total de 180 quilómetros. Para além dos tradicionais obstáculos naturais, a seleção das melhores trajetórias tornou-se um desafio devido à lama.



Na categoria Ultimate, menos sorte teve Carlos Sainz (Ford), que teve problemas de motor. Mattias Ekstrom (Ford) e Henk Lategan (Toyota), perderam bastante tempo depois de saídas de pista com consequências mecânicas nos seus carros, as quais conseguiram resolver ainda no setor.


Nas motos Daniel Sanders (KTM) foi o mais rápido no primeiro setor seletivo. Demorou 1h32m01s a completar, seguido de Tosha Schareina (Honda) a 2m10s e em terceiro ficou Adrien Van Beveren (Honda). Em quinto lugar da geral – e primeiro da categoria Rally2 – ficou o português Bruno Santos (Husqvarna), enquanto Gonçalo Amaral (Honda) terminou o dia na frente da categoria Rally3.


O segundo setor seletivo foi disputado da parte da tarde, no traçado usado na véspera para o prólogo das motos, mas desta feita disputado em sentido inverso. Com apenas três quilómetros de extensão, a pista pouco ou nada mexeu na tabela das classificações gerais. Nas motos, o panorama foi semelhante.


Ao final do primeiro dia, João Ferreira estava bastante contente com a sua prestação: “foi um bom começo para nós, com um traçado muito difícil, muito escorregadio, mas demos o nosso melhor para sobreviver. Era muito fácil cometer erros, vimos muitos pilotos parados com problemas. O nosso carro esteve bastante bem, e nós não cometemos erros, mas ainda falta muito para o fim”, afirmou o piloto de Leiria.


Acerca das condições sentidas no primeiro setor seletivo, no qual imperou a lama, o piloto português foi perentório em reafirmar o seu objetivo maior: “Nestas condições não podemos puxar muito, porque senão os erros acontecem e não é isso que queremos. Não estamos aqui para disputar setores. Bem sei que venci o setor, mas temos de nos manter focados e com os olhos no objetivo maior e vamos ver o que conseguimos alcançar”, declarou Ferreira.


Na categoria Stock, a dupla Rokas Baciuska/Oriol Vidal, em Defender, manteve a boa forma que revelou no Dakar, dominando o dia à frente das duplas Stéphane Peterhansel/Michaël Metge e Sara Price/Sean Berriman. Se o francês cedeu apenas um minuto para o seu colega de equipa, já a piloto norte-americana atrasou-se devido a um problema com a direção do seu Defender.


Seguindo o exemplo de João Ferreira, Ricardo Porém e Nuno Sousa foram a dupla vencedora do dia na categoria Challenger, fixando-se no topo da tabela à frente a Juan Gasso/Ion del Cid e Paul Spierings/Mark Salomons. Por último, na categoria SSV, o pódio ficou ordenado apenas com duplas nacionais, com Luís Cidade/Valter Cardoso, Luís Portela Morais/David Megre e ainda Miguel Barbosa/Joel Lutas.



Das quatro para as duas rodas, os portugueses no top


O grande destaque do dia foi para a prestação do piloto nacional Bruno Santos que, mesmo depois de ter sido penalizado em dois minutos por excesso de velocidade numa zona controlada, continua no topo da tabela classificativa. Aos comandos da Husqvarna FR 450 Rally, Santos não só se imiscuiu junto dos pilotos de fábrica, como também acabou o dia a liderar a categoria Rally2. Segundo ele, “a primeira parte do setor seletivo foi muito divertida, se bem que molhada, mas gostei muito. Estou acostumado a pilotar em percursos com muita água, que são comuns no campeonato nacional. E sinto-me fisicamente bem”, rematou.


A participação de Santos no bp Ultimate Rally-Raid Portugal é algo diferente, já que é o próprio que presta assistência à sua moto: “até agora estava sozinho com a minha mulher. Estamos acostumados a disputar corridas sozinhos, mas agora temos a ajuda de alguns amigos”, declarou.


Em Rally3, os irmãos portugueses Gonçalo e Salvador Amaral (Honda) foram os mais rápidos do dia, superiorizando-se ao francês Steve Pasco. Na categoria Quad, Antanas Kanopkinas (CFMOTO) lidera.

Espetáculo e animação em mais um dia de competição

Amanhã, dia 19, a segunda etapa será disputada num setor seletivo que irá levar os pilotos de Grândola a Badajoz, numa extensão cronometrada de 377 quilómetros. A primeira moto vai para a pista às 7h05 e o primeiro carro às 9h35. A chegada a Badajoz está prevista para as 12h53 para as motos e 15h22 para os carros. Tal como em Grândola, o bivouac estará aberto ao público em geral, com acesso gratuito, entre as 18 e as 23 horas.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Sanders protagonista no início do bp Ultimate Rally-Raid Portugal

Daniel Sanders fez notar a sua presença na edição deste ano do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, ao vencer o prólogo disputado em Grândola. O Campeão do Mundo foi um décimo de segundo mais rápido, na sua KTM, que o segundo classificado, Tosha Schareina (Honda). O terceiro classificado do prólogo foi Ricky Brabec (Honda), que ficou a 0,03s do melhor classificado.

Ainda a recuperar da aparatosa queda que sofreu no Dakar deste ano, Sanders mostrou toda a sua garra e velocidade. A felicidade era notória no australiano: “obviamente é bom podermos chegar aqui [vencer o prólogo]. A pista é semelhante à da última época e conseguimos ver por onde íamos um pouco, mas as condições foram-se alterando. Todos estavam a puxar. Para descobrir qual a linha mais rápida tínhamos de arriscar e não cair. É difícil aquecer numa etapa de dois ou três minutos, mas é uma questão de suster a respiração e ir o mais rápido possível”, concluiu o piloto da KTM.


Com muitos adeptos a assistir nas pistas de Grândola, o prólogo teve como vencedor da categoria Rally2 o neerlandês Jeremy Knuiman (KTM) e em Rally3 o português Gonçalo Amaral (Honda).

O melhor português no prólogo foi Bruno Santos, em Husqvarna FR 450 Rally. À chegada, não escondeu a sua satisfação: “foi um prólogo positivo, [...] muito interessante, arenoso, com umas curvas sinuosas. Sei que imprimi um bom ritmo; ainda não tinha as linhas perfeitas marcadas naquele traçado, mas ainda assim não foi um problema. Tentei acelerar o máximo que pude, gostava de ter feito um bocadinho mais, não deu. Acredito que já deu para eleger uma boa posição para a etapa de amanhã”, rematou o piloto luso.


Animação nas pistas e nas zonas abertas ao público

O dia terminou com a conferência de imprensa aberta ao público, a concorrida sessão de autógrafos com 18 pilotos e a cerimónia de partida para as motos e carros, onde os adeptos do todo-o-terreno puderam aplaudir alguns dos melhores carros, motos e respetivas equipas.

Amanhã, a primeira etapa terá um setor seletivo com uma extensão de 180 quilómetros, para um total de 225 quilómetros, que levará os pilotos a fazer uma volta que começa e termina em Grândola.


Ao longo do setor seletivo, haverá áreas para os espetadores acompanharem a passagem dos concorrentes. Ao final do dia, o parque de assistência terá acesso gratuito para o público em geral, das 18 às 22 horas. Para além da ação no terreno, também será possível assistir aos diretos transmitidos pela Sport TV (das 13:49 até às 16:37) e a um resumo com cerca de 15 minutos de duração (às 1:20).